Desde 01 de Março de 2022

Carnaval de outrora

Vânia Moreira Diniz - Carnaval de outrora

Lembro-me do carnaval outrora no Rio de Janeiro,

Todos brincavam felizes e eu enxergava estarrecida,

Os palhaços e blocos que divertidos se manifestavam,

Na calçada, na praça ou nos bares em demonstração,

De entusiasmo, encanto e singularidade pueris.

Os olhos de criança tudo viam e me quedava tranqüila,

Esperando o momento mágico de sua aproximação,

Lança-perfumes jogavam e sorriam com o grupo imenso,

Sambando e cantando as músicas mais populares.

Afortunado era o momento em que os confetes esparziam,

Deixando as cabeças em colorido impressionante.

Eu gargalhava ditosa, esperando que a farra jamais acabasse.

Beijos, abraços e o rebolar ritmando a música enlouquecida.

Agoniada pedia que me deixassem seguir o cordão alucinado

E dessem as mãos clamando pela parceria infantil e inusitada,

Que frente a eles se quedava em insana expectativa e anseios mil.

“Você pensa que cachaça é água”!…

Serpentina, confetes, lança-perfumes, cantoria e abre-alas,

Era a única coisa que se pensava no Rio enlouquecida,

E todos pediam que os dias não acabassem e se expandissem

Num carnaval de eternas recordações.

Quando o carnaval se aproxima, não posso esquecer

Do singelo espetáculo de minha infância a cantar em brados,

Pulando em ritmo contagiante, enquanto se esperava,

As escolas de samba, e os desfiles lindos e inebriantes.

Em doenças ninguém falava e a AIDS não existia,

Mas a evolução caminhava sem carecer outrora,

De precauções e cuidados especiais.

Hoje esperamos o carnaval que desesperado busca,

Ainda no compasso apaixonante a camisa protetora.

Carnaval almejamos todos e só lamentamos a violência,

Tão incrustada hoje em qualquer manifestação popular.

Pedimos que em sonhos se realize o anseio de todos nós,

Que haja alegria e prazer e a insegurança seja exterminada

Vânia Moreira Diniz

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