Ao iniciar a escrita, ainda na infância, eu o fazia por encontrar bem-estar e a consequência imediata era uma profunda felicidade. Escrever me proporcionava uma paz absoluta. Embora apreciasse o reconhecimento e o fato de as pessoas lerem o que produzia, nunca escrevi, nem escrevo, para agradar a quem quer que seja. Meus textos são a pura expressão do meu sentir, uma compulsão que independe de “curtidas” ou de qualquer aprovação.
Aliás, o valor das “curtidas” ou aprovações externas muitas vezes reside no interesse em agradar o outro por diferentes razões. O que realmente importa para mim é a sinceridade, o sentimento genuíno. É lamentável que o mundo da arte, em sua totalidade, muitas vezes opere dessa forma. Não é a manifestação de entusiasmo que prevalece em diversas ocasiões, mas sim o interesse.
Continuo a escrever sem me aperceber completamente do que meus pensamentos transmitem e, por vezes, nem sequer tenho plena consciência do que estou a transpor para o papel. Habitualmente, não altero o que foi concretizado, limitando-me a corrigir lapsos pontuais, pois a emoção é mais intensa e a rapidez inviabiliza a perfeição.
A escrita é para mim tão vital quanto respirar, salvaguardadas as devidas proporções. E a leitura constitui uma necessidade intrínseca, comparável ao processo de alimentação. Os horários e intervalos exigem o abastecimento do nosso corpo; a leitura, por sua vez, nutre a alma, reforça a urgência de dar vazão aos pensamentos e, frequentemente, alivia o nosso inconsciente.
Seja em momentos de grande dor ou de imensa alegria, sinto a necessidade de verbalizar claramente a mim mesma o que se processa no meu estado emocional e mergulho em praticamente todas as reações que agridem ou suavizam o meu ser interior.
Posso escrever a chorar, a sorrir ou simplesmente retratando o que acontece ao meu redor e no meu íntimo. Por este motivo, frequentemente recorro à escrita quando uma crise de ansiedade me arrasta para um período de grande turbulência. Exijo que meus sentimentos sejam honestos comigo, sem disfarçar o que realmente está a ocorrer. Minha alma é o termômetro fidedigno das minhas mais profundas emoções, e sou grata por essa transparência.
Vânia Moreira Diniz
Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar



