Desde 01 de Março de 2022

A DESMEDIDA CORRERIA PARA PERDER O BOM DA VIDA

Luiz Alberto Machado

Com a vida agitada de hoje, tudo é só no desembesto. Só dá pra pinotar e escorregar ali, salto solto aqui, escapando disso, dando certo naquilo depois de trocentas tentativas e erros, frenagens bruscas, bundacanascas e arrodeios tantos, avalie. Quando a gente vai ver, findou-se o dia e o que era bom acabou-se. E se não tiver hora pra tudo, passa batido e perde a viagem: é só acordar e cair no trampo, maior batente com tantos afazeres. Não há agendamento que dê jeito, sempre atrasado, ave santo conforto pros desconfortos. No apurado não deu pra fazer nem a metade da parte do que havia planejado, antes fossem quarenta e oito horas num só dia, não mais vinte e quatro que já não dá pra fazer nada com tantos engarrafamentos, burocracias e má vontade. Se não usar daquele expediente do jeitinho azeitando tudo, não dá nem para resolver uma coisa só, quanto mais se valer do pagar pra ver.

São tantas coisas deixadas pra depois que o que foi feito entra na escala do inútil. E assim vai dia após dia: nenhum aprendizado, nada que valha a pena.

No amontoado dá sempre inadimplente com uma promessa ou uma obrigação que se acumula entre tantas outras, a ponto de perder tempo só de pensar no que deixou de fazer, quando deveria era a prontidão do já ter feito do jeito que desse. Por conta disso, deve-se tanto ao lazer que qualquer tempo livre é só pra perder mesmo. O resto que ficou de coisas sérias que demandam um determinado longo espaço de tempo, fica sem resolução e só naquela do a gente vai levando como pode para ver como é que fica: um dia Deus dará. Ao final de tudo, os filhos cresceram e nem se viu, décadas passaram como se tudo tivesse sido ontem e os problemas acumulados dentro do aglomerado de broncas que explodem no dia a dia, até se ver sufocado e sem esperanças pra nada. De tudo feito, só castelos de areia que, na primeira ventania, não se sustentam de nem ficarem as cinzas, nada por serventia. Êpa!

Tantas coisas passadas e nem uma só gota pra remédio foi aproveitada. Nem abraços, afetos, paisagens, amizades: tudo na poeira do passado. As fotos desbotadas, o jeito fora de moda, os sonhos desfigurados. Nada madurou, saiu direito das afoitezas fagueiras da inocência infantil para o envelhecimento precoce pelo instantâneo, descartável, volúvel e pela compulsão do aqui e agora já.

Eita! O umbigo saliente na primazia e tudo o mais no reino das ninharias. Sobrou só o vazio e a escuridão de nenhuma experiência: conhecimento válido é o que é praticado; e se é ralo, não resiste à primeira constatação, o dilema entre os anseios e o baldado. Essas dão na desmedida correria que faz perder o bom da vida. © Luiz Alberto Machado.

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