Luiz Alberto Machado
Falando comigo: sou umbigo nas paredes, todos & ninguém – o trâmite da solidão.
Cansaço, murro em pontas de facas: o bloco do eu sozinho, arre!
Nem um copo d’água, nem mão estendida, nenhuma: tudo é noite ao meio dia, noitedia. Ah, quanto desespero, falta de imaginação, tudo é um ermo caleidoscópico: estrídulos – sirenes, anúncios, manchetes, fotos, excrescências, algaravias: o espetáculo.
Sou ação e espectador, hipereu inflado: fazem de mim, faço de conta. Nem oito, nem oitenta: zeros, uns e tudo.
Sou envolvido por um mar silencioso que não é mar nem silêncio: simulações para o hiper-real, interconexões voláteis que se desplugam na instantaneidade: desconexões. São opções zis de nada, nem entendo, puro caos: do contra ou a favor, afora angústias, temores, incertezas. Só a hipnose enquadrada: o vazio que se realiza em festa e fascínio, no contrassentido da existência – o luxo de marca, poder e prestígio: os signos borrados. E quase nem sou eu, sou quase-eu, até nem-eu de tão inquieto com interrogações fúteis – graças! -, que não dizem nem preciso saber o que será de mim mesmo: sou contra maré no meio dessa doida boiada consensual e muda, rotulada, neutralizada, esvaziada, levada pelo delírio do insignificante e superficial, misturado ao que fede e o que cheira, oh inhaca tosca. Nem eu mais, destruído na janela, a espiar ao redor e as imediações pra constatar que vivo você: o devir-eu, um.
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