Desde 01 de Março de 2022

Cérebro e caneta

Vânia Moreira Diniz escritora

Desde a infância, um lápis ou uma caneta eram extensões de minhas mãos, testemunhas silenciosas de alegrias e tristezas, de vitórias e derrotas. Traços e palavras rabiscadas em papel guiavam meus sentimentos, transformando-os em algo tangível. Em momentos de êxtase ou melancolia, a caneta era a confidente que me permitia dar vazão à intensidade da vida.

A noite se arrastava, densa e carregada. Um turbilhão de emoções me assaltava, e a caneta, como sempre, era meu refúgio. Como escritora, aprendi a desnudar a alma, expondo meus sentimentos sem pudores ou máscaras. E, mesmo na era digital, a caneta continua sendo meu elo com a essência da escrita, a materialização de meus estados d’alma.

Hoje, as palavras se perdem em meio à confusão mental. A vontade é de calar, de buscar o isolamento. A solidão me envolve como um manto, protegendo-me do mundo exterior e das perguntas indiscretas. É um momento de introspecção, de cura interior.

Lembro-me com nostalgia dos tempos de juventude no Rio de Janeiro. Caminhadas à beira-mar, na Avenida Atlântica, eram momentos de conexão com a natureza e comigo mesma. As ondas sussurravam segredos, o vento salgado afastava as preocupações. 

Hoje, busco o mesmo refúgio, não no mar, mas nas páginas em branco. Preciso dar vazão às minhas reflexões, ordenar o caos interior. As lágrimas brotam, lavando a alma e abrindo espaço para a serenidade. É uma jornada silenciosa, sem testemunhas, apenas eu e meus pensamentos.

Peço ao Criador, seja qual for sua forma, que me conceda a paz que tanto anseio. Que a natureza, com sua beleza exuberante, me inspire e me traga a cura. Meus pensamentos bailam no papel, guiados pela caneta que dança em meus dedos. Agradeço ao Senhor do Universo por todas as experiências que me moldaram, pelas alegrias e tristezas, pelos aprendizados e desafios.

A caneta desliza sobre o papel, como um rio que segue seu curso. Minha voz se silencia, mas minhas emoções transbordam em cada palavra. E, mesmo em meio à turbulência, encontro forças para seguir transpondo as pedras do caminho.

Vânia Moreira Diniz

Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar

Compartilhar Artigo:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
RELACIONADOS

Você também pode gostar

vania-moreiradiniz-artigo-poesias

A Métrica do Reencontro

Venho em busca da paz que o peito suplica,enquanto a alma transborda na quietude do instante,passos errantes por espaços perdidosno emaranhado de sombras que se

Resgate Essencial

Tudo estava muito escuro. Eu não conseguia enxergar nada ao meu redor. Percebia apenas ruídos indistintos no ar — e até mesmo esse leve rumor

03) Retorno ao Caminho Atravessado

Estou retornando ao caminho já trilhado,preciso sentir o pulsar das antigas emoções.Talvez a memória já não guarde o mapa exatodas decisões tomadas na vertigem dos