Era uma rua agitada. Muita criança,
Relembro-a comprida e barulhenta,
Minha memória completa se perde,
E no tempo a recordação avança.
Bicicletas, patinetes e brincadeiras,
Os pais ausentes trabalhando,
A meninada em ritmo acelerado,
E as babás ao lado conversando.
Revejo o mundo à minha volta,
O rodopio alucinado dos patins,
Minha cabeça rodando ligeira,
E procurando mais me atordoar.
Pequenina não alcançava,
Quanto aquele mundo era irreal,
Perdia os detalhes e não enxergava,
O trecho que era vasto ideal.
Não atinava que a vida caminhava,
Traçando a sorte e deliberando,
O destino indistintamente marcando,
A passagem nebulosa dos dias.
E ali naquela rua aprendi a brincar,
Sentindo o mistério que não discernia,
Buscando nos olhares a acolhida
E não sabendo nada de melancolia.
E enquanto brincava crescia,
Assistindo ao desenrolar da história,
Escutando suavemente uma melodia,
E acreditando em formas de harmonia.
Conteúdo atualizado pela equipe Essenciar
Uma resposta
Querida, que lindo poema. O interessante é que pude ver o retrato de uma época, por meio de suas doces palavras. Grata.